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PC diz que defesa insiste em dizer que Danielle cometeu suicídio, mas que provas apontam para o médico

DA REDAÇÃO 26 de Jan de 2018 - 16h57, atualizado às 19h04
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Foto: Divulgação
Danielle Christina Lustosa Grohs foi encontrada morta no dia 18 de dezembro do ano passado, em sua residência
Após a Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) apontar contradições nos depoimentos do médico Álvaro Ferreira da Silva e sua ex-namorada, Marla Cristina Barbosa dos Santos, 42 anos, o casal voltou a ser interrogado nessa quinta-feira, 25. Silva, que é o principal suspeito de matar a ex-esposa, a professora Danielle Christina Lustosa Grohs, em dezembro do ano passado, continua preso na Casa de Prisão Provisória de Palmas (CPPP). Marla foi presa temporariamente no dia 17, uma vez que a polícia queria saber saber se ela tinha alguma informação, ou se teve participação no crime que vitimou a professora. Ela foi liberada no dia 18.

Conforme o CT apurou, a defesa do médico tem insistido que Danielle teria cometido suicídio. Inclusive, esse foi o argumento para pedir a revogação da prisão do médico, o que foi negado pelo Judiciário.

O advogado Paulo Roberto da Silva, que defende Marla, negou que tenha havido contradição nas declarações de sua cliente. “Na verdade, não é contradição. Às vezes há um equívoco de horário de saída e de chegada. Tudo isso o delegado [Pedro Ivo] está pormenorizando. Horários nem sempre a pessoa tem na cabeça. Por esse motivo, a minha cliente compareceu à delegacia. Ele está correto. Ele esta buscando. São detalhezinhos que foram sanados no interrogatório. Essa é a realidade”, afirmou Silva.

Segundo ele, mais uma vez, Marla colocou à disposição do delegado seus sigilos fiscal, bancário e telefônico. “Depoimento da minha cliente foi muito produtivo. Foi tudo tranquilo com relação a pessoa dela. Ficou bem claro que ela não teve participação no crime e que tudo não passou de um engano, ou seja, dela estava no lugar errado, na hora errada e com a pessoa errada. Estamos agora aguardando a conclusão do inquérito”, disse.

Cautela
Muito cautelosa, Polícia Civil (PC) contou apenas que, com a prisão de Marla, ela deixou de servir de álibi do principal suspeito. A corporação disse que Marla contou que ela e Álvaro dormiram na noite do crime na mesma casa, mas em quartos separados. Conforme a ex-namorada do médico, ela tomou remédio que a fez dormir profundamente, e assim não pôde afirmar se ele saiu ou não na madrugada para supostamente matar a Danielle.

Marla também acusou o médico de tê-la agredido em outubro, em uma viagem que fizeram.

De toda forma, de acordo com a PC, o contexto probatório ainda aponta o médico como sendo ele o provável autor do crime.
 
Entenda o caso
Danielle foi encontrada sem vida no início da noite do dia 18 de dezembro, em sua residência, na Quadra 1.104 Sul, em Palmas.

Em entrevista exclusiva ao CT no dia 20 de dezembro, Simara Lustosa, mãe de Danielle, falou sobre o relacionamento "tumultuado" da vítima com o ex-marido. Emocionada, revelou que ele tinha o comportamento "extremamente agressivo" e de "psicopata": "Danielle dizia que tinha medo dele".

No dia 22 de dezembro, Edson Ferreira Alecrim, advogado da professora, relatou que outras pessoas já haviam sofrido agressão e ameaças do ex-marido da vítima, inclusive ele. Para o advogado, todos os fatos "levam a crer" que o médico seria o autor do crime.

"Danielle falava que o Álvaro sempre foi agressivo, brigavam, ele batia nela, e ela sempre tolerando para ver se a pessoa mudava, mas ela disse que não tinha jeito. No sábado [16 de dezembro], ele tentou estrangular ela e como não conseguiu ameaçou matar ela.

No dia 19 de janeiro, Alecrim disse que, para ele, a causa do crime foi divisão de bens, avaliados em R$ 4 milhões, e que o advogado diz que o médico não queria beneficiar a professora.

Prisão
Em trabalho conjunto, a Polícia Civil de Palmas, Goiás e São Paulo conseguiu prender o médico no dia 11 de janeiro, em Anápolis (GO). Álvaro, que foi transferido para Palmas no dia seguinte, 12 de janeiro, vai cumprir a prisão temporária decretada pela Justiça de 30 dias, por crime de homicídio hediondo.

Ele já respondia a processos por violência doméstica e existia até uma medida protetiva que o obrigava a manter 500 metros de distância da professora. Dois dias antes do crime, Danielle registrou mais um boletim de ocorrência por agressão.

No dia 16 de janeiro, a Secretaria de Segurança Pública do Tocantins (SSP/TO) confirmou que o resultado do laudo necroscópico, realizado pelo Instituto Médico Legal de Palmas (IML), apontou que a professora Danielle morreu de asfixia mecânica por esganadura.

No dia 17 de janeiro, policiais civis da Delegacia de Homicídios e Proteção a Pessoa (DHPP), de Palmas, comandados pelo delegado Pedro Ivo Costa Miranda efetuaram a prisão de Marla Cristina. Conforme o delegado Pedro Ivo, a prisão de Marla teve como objetivo esclarecer se ela teve participação no crime, tendo em vista que a mulher viajou com o principal suspeito, na manhã do dia 18 dezembro, com destino a Morro de São Paulo (BA).

O advogado Paulo Roberto da Silva, que defende Marla Cristina disse que sua cliente afirmou que foi espancada e estuprada na noite do dia 17, dentro do Presídio Feminino de Palmas. “Ela foi submetida a exame de corpo de delito, que comprovou que ela está machucada”, garantiu o advogado.

Defesa do médico
No dia 22 de dezembro, a defesa do médico Álvaro Silva disse ao CT que tudo que se diz sobre seu cliente “é mentira”. “Ele [Álvaro] está sendo acusado de um crime que tem como provar que não cometeu, porque não estava em Palmas”, garantiu a advogada do suspeito, que preferiu não ser identificada.

Segundo a defesa, o médico saiu da prisão para uma chácara de amigos fora de Palmas. "O que o pessoal que estava com ele tem a dizer já descarta qualquer possibilidade que ele tenha sido o autor desse crime, porque da chácara, no outro dia, ele foi direto para o aeroporto de Uber e embarcou às 7 horas”, afirmou a advogada.

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