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Um dia após condenação, PT lança pré-candidatura de Lula a presidente

Da Redação 26 de Jan de 2018 - 05h56, atualizado às 05h59
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Foto: PT
Lula discursa em SP: "Formaram um cartel para tomar a decisão e tentar evitar a possibilidade de que o PT tenha Lula candidato a presidente"
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve a pré-candidatura a presidente da República lançada pelo PT nessa quinta-feira, 25, um dia após ter tido ampliada a pena de prisão para 12 anos e 1 mês pela 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), em Porto Alegre (RS). “Não aceito que vocês lancem minha pré-candidatura para me proteger. Minha proteção é minha inocência. Se eu for candidato a presidente da República não é pra me inocentar, é para governar decentemente esse país”, afirmou Lula, em discurso, para confirmar em seguida: “O Dom Pedro I criou o ‘Dia do Fico’, eu vou dizer o ‘Dia do Aceito’. Eu aceito!”

Discursando para uma plateia lotada na manhã seguinte após ter sido condenado pela unanimidade dos três desembargadores do TRF4, o ex-presidente resumiu seu estado de espírito: “Me perguntam se estou bem, se dormi bem. Sim, dormi bem, o sono de quem sabe que é inocente”, garantiu. Sobre o julgamento de quarta-feira em Porto Alegre, ele disse que não viu o acusarem de nenhum crime. “Acho que eles estavam efetivamente tentando condenar uma parcela grande do povo brasileiro, que teima em reconhecer no PT e no Lula a possibilidade desse país voltar a ser respeitado, bem governado, e do povo voltar a viver feliz, com autoestima, trabalhando e vivendo bem”, defendeu.

Sobre a decisão, Lula afirmou ter sempre acreditado que seria 3 a 0. "Portanto, não sofri como alguns companheiros pensavam. Eu não estou feliz, mas duvido que algum deles esteja com a consciência tranquila como eu estou hoje”, disse.

Um cartel
A respeito da decisão em si, em que foi unânime a condenação e o aumento da pena para 12 anos e 1 mês, o que exclui a possibilidade da defesa protocolar o chamado embargo infringente, Lula disse só na quarta-feira, 24, dia do julgamento, compreendeu "o que é um cartel". "Um desembargador ficou seis meses com o processo, outro só seis dias e o outro nem sei quantos. E então se juntaram para dar sentença unânime, para evitar o tal embargo infringente. Formaram um cartel para tomar a decisão e tentar evitar a possibilidade de que o PT tenha Lula candidato a presidente da república”, acusou. “Na verdade, a votação de ontem [quarta] foi muito mais para valorizar a categoria dos juízes, para valorizar o corporativismo, do que uma sentença para julgar um crime, porque não havia crime.”

Já sobre o lançamento da sua pré-candidatura, Lula "aceitou" a aclamação e destacou todos os desafios que se criam a partir de agora. “Estou aqui para dizer a vocês que não tem apenas esse processo (do triplex da OAS). O que está sendo julgado é a forma como nós governamos, a ousadia de fazer as coisas que nunca haviam sido feitas nesse país. A possibilidade de criminalizar a organização política que colocou o pobre no centro do debate econômico. Ou a gente percebe isso e começa a construir uma narrativa junto à sociedade brasileira, ou vamos abrir espaço para a tentativa de fazer com que o PT seja criminalizado injustamente”, defendeu.

Por fim, o ex-presidente avaliou que sua condenação em segunda instância "é parte de uma reação ao trabalho do Partido dos Trabalhadores", que não se resumirá apenas "à perseguição da pessoa do ex-presidente": “O Lula é apenas a ponta de lança que eles querem tirar do jogo. Acho que em muitas décadas eu não via reação de corporação como vemos agora. A PF está se prestando a qualquer negócio, a propor qualquer processo, não importa a quantidade de mentiras. Fazem perguntas sem nexo e sem interesse no processo, e não interessa a resposta. Mas não se condena uma ideia. Uma ideia não cabe em cela, em cova, a ideia sobrevive. A ideia é que o povo brasileiro sabe cuidar do Brasil melhor do que a elite brasileira jamais cuidou desse país”, afirmou. (Com informações do PT nacional)

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